segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Fielzão, aos olhos do povo!





Ontem, antes de ir à Rádio Coringão para ouvir a transmissão, resolvi passar em frente ao nosso estádio. Ali tive a visão do torcedor comum que vai ao local e obviamente não tem acesso à parte interna onde os operários trabalham. Então fiquei com a visão do gigante que se destaca aos nossos olhos desde que cheguei à estação do metrô Artur Alvim, sentido Centro-Itaquera.














Já Perto da estação Itaquera é possível vê-lo ainda mais imponente; chega a tocar a alma lembrar que um dia ali estivemos por várias e várias vezes acompanhando os jogos do Campeonato Interno dos Associados (CIFAC), das seleções do CIFAC disputando o Interclubes ou mesmo os treinos das categorias de base.













Claro, imediatamente recordei-me de um cidadão, não corinthiano (da boca pra fora), mas com certeza o foi de espírito, o zelador Miguel. Pioneiro em residir naquele endereço quando nem o metrô existia direito; lugar, este, construído para ser o CT do Corinthians, mas que nem a diretoria teve pulso firme para obrigar os atletas profissionais treinarem por lá. O Miguel, que se dizia santista, na verdade era um grande corinthiano. Escrevo essas linhas no passado apenas por não saber o seu paradeiro, pois nos últimos tempos, ele vivia cuidado pela esposa e pela filha, acometido de um derrame. Se Miguel foi o nome do nosso primeiro presidente, o de sobrenome Bataglia, esse senhor a que me refiro – seu xará – foi o guardião e o primeiro administrador do terreno da nossa futura casa por anos – no distante morro, que ora recebe a escultura que será a grande obra de arte da Fiel Torcida, motivo de inveja dos adversários, orgulho da engenharia e arquitetura nacional que o mundo conhecerá em prosas, versos e imagens na abertura da Copa do Mundo de 2014.












Mas onde estará o Miguel, o prefeito de Itaquera? Certamente não estará intramuros, pois deve ter sido convidado a se retirar com a chegada do progresso. Espero que ao menos tenham lhe dado reconhecimento para que toque o resto dos seus dias com um mínimo de dignidade. Pois entre muitas conversas em vários finais de semana guardei dele a imagem de verdadeiro corinthiano. Era ele quem checava e, como checava, a entrega de materiais de construção, em suas mais diversas formas, gramas, etc, que mantiveram aquele chão como solo alvinegro. E não foram poucas as vezes que ele pegou fornecedores de calças curtas, tentando nos passar para trás.














Em homenagem ao Miguel e a Nação Corinthiana, em especial àqueles que não terão condições de estarem do lado de dentro por um motivo ou outro, público essas fotos tiradas do ângulo de quem ama, constrói e pode ser proibido de entrar nesse templo sagrado da Fiel Torcida.

Jogador do Corinthians bate falta em jogo pelo Interclubes, em 2006.


Ernesto Teixeira – A voz da Fiel

Torcedor corinthiano; sócio, intérprete e compositor da Gaviões (8.005); sócio do Corinthians (305.216); suplente a conselheiro do Corinthians; idealizador do Comitê de Preservação da Memória Corinthiana (CPMC); colaborador da Rádio Coringão;
Formado em Gestão Desportiva e de Lazer pela Faculdade Drummond