quinta-feira, 25 de outubro de 2012

FIEL coloca o Corinthians entre os 100 times com maior média de público do mundo



Li o texto de Emerson Gonçalves, Os 100 times com maior média de público do mundo, publicado no Globo Esporte.com, baseado num levantamento feito pela Pluri Consultoria, que aborda a fidelidade presencial dos torcedores. Num primeiro momento, analisando friamente os dados, a maneira como são classificados, comparando capacidade dos estádios e público, é evidente a surpresa com a colocação do Corinthians. Não ficamos em primeiro nem se comparados aos clubes nacionais, posição que cabe ao Santa Cruz de Recife.

A pesquisa tem serventia e não pode ser descartada. Particularmente, a questão da fidelidade corinthiana me chamou a atenção. Como a Fiel não levou o Corinthians às melhores posições? Por que clubes até então desconhecidos da grande maioria estão em situação de destaque? O que há de errado? A Fiel tem sido destaque nos últimos tempos, em especial nesse Campeonato Brasileiro, mesmo com o time não disputando mais o título, mantém a média de quase 25 mil pessoas por jogo. Vamos a campo nas condições impostas pelos organizadores, que nos usam como cobaias para testar horários pela manhã, à tarde e à noite, sábados, domingos e feriados... Só falta experimentarmos as madrugadas para darmos audiência à grade da emissora detentora dos direitos de transmissão dos campeonatos.

O que será que os clubes à nossa frente têm que ainda não conseguimos alcançar? Disposição, transparência e venda de um bom serviço e atendimento são as palavras que me ocorrem de imediato. Será que eles têm um plano melhor para a venda de entradas antecipadas? Será que por lá as empresas compram os ingressos e fazem distribuição entre seus clientes para promoção de seus produtos?

O Corinthians aparece na 65ª posição, com média de 29.424 torcedores e 73% de ocupação do Pacaembu, que comporta 40.199 espectadores. Claro, não dá pra descartar o Fiel Torcedor – programa de fidelidade do Corinthians – que tem conseguido certa expressão na maneira como é administrado (detalhe que é fator preponderante para a aquisição de entradas de futebol).

O que a averiguação não deixa nítido é se o público anunciado é o que adquiriu os ingressos ou o que está presente. Algumas vezes, zapeando o controle da TV, me deparo com jogos pelo mundo com muitos lugares vazios. E isso vale pra Europa, América e Ásia. Então, o ideal é que os números apresentados no estudo sejam àqueles que também consideram a plateia em cada jogo. Insisto no próprio programa do Corinthians para fazer a estimativa necessária para aquisição de jogos de outros campeonatos tidos como importantes, como foi a Libertadores de 2012, que alguns adquiriam ingressos e não iam às partidas do campeonato Paulista.

Outro fator é o preço dos ingressos em cada lugar. Sendo assim, a análise tem lá sua relevância, mas para que pudesse realmente ter um caráter comparativo imagino que todos deveriam usufruir de condições semelhantes. Será que o valor do ingresso dos jogos do Santa Cruz, por exemplo, é o mesmo do Corinthians?

A questão para se chegar ao topo do ranking, penso, esteja diretamente ligada a coordenação e ao planejamento que nos faz ter um bom elenco, capaz de suportar as necessidades de alternâncias nas escalações para determinados embates; um bom local para receber a torcida, com todos os requisitos para ir e vir e, principalmente, naquilo que tange à infraestrutura de alimentação, de segurança e de limpeza; programa de fidelidade de venda antecipada, que atenda a tabela completa; e, por último, os custos. Vale ressaltar que para se chegar a esse ponto e não nos transformamos num amontoado de “almofadinhas” é preciso pensar num espaço democrático e acessível.

Hoje, a Fiel deve ser motivo de elogios. Pois ainda que em condições adversas, cresce em comparecimento nos estádios a cada ano. Com a inauguração do estádio Corinthiano, próximo ao metrô Itaquera, essa estimativa tende a aumentar.



Ernesto Teixeira – A voz da Fiel

Torcedor corinthiano; sócio, intérprete e compositor da Gaviões (8.005); sócio do Corinthians (305.216); suplente a conselheiro do Corinthians; idealizador do Comitê de Preservação da Memória Corinthiana (CPMC); colaborador da Rádio Coringão;
Formado em Gestão Desportiva e de Lazer pela Faculdade Drummond